fevereiro 24th, 2014

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A Sanofi começou mal com a Medley. E a situação só piorou!

Alexandre Battibugli/EXAME

Em 2009, a francesa Sanofi comprou a farmacêutica Medley e virou líder do então promissor mercado de genéricos no Brasil. Mas criou com isso um problema sem solução até hoje.

 

 Rede de farmácias Pague Menos

Farmácias: a Medley pagava às redes farmacêuticas para garantir espaço nas gôndolas. A estratégia levou a empresa a sucessivos prejuízos a partir de 2010

São Paulo – Toda aquisição nasce cercada pelas melhores expectativas. Quando o laboratório francês Sanofi pagou 1,5 bilhão de reais pela farmacêutica brasileira Medley, em março de 2009, o negócio foi saudado como símbolo de uma nova fase para a companhia.

A Sanofi se armava para repor as receitas que seriam perdidas com o fim de patentes de seus campeões de venda, como o remédio para colesterol Plavix. A Medley era líder do mercado brasileiro de genéricos— o setor que mais crescia em um dos países que mais compram remédios no mundo.

Mas, para ficar numa metáfora médica, foi como tomar um remédio que, de tantos efeitos colaterais, acaba piorando a situação do paciente. A compra da Medley só deu problemas para a Sanofi. Nos últimos quatro anos, a Medley teve três presidentes.

Desde 2011 perdeu 12 de seus 31 pontos de participação de mercado. A queda é de mais de 38%. No fim de 2013, perdeu para a EMS a liderança que mantinha desde 2002. A empresa tem prejuízo desde 2010.

Por que os resultados têm sido tão ruins? Como volta e meia acontece em aquisições retumbantes, por trás de números grandiosos havia inúmeros problemas a resolver. A Sanofi encontrou uma empresa até rentável — com margem operacional na casa dos 30% —, mas com caixa depauperado.

Com falta de capital de giro e sem acesso a crédito para compra de matéria-prima, a Medley­ estava com as fábricas fechadas e sem vender havia três meses. O caixa insuficiente era consequência de dois fatores. O primeiro é o antigo proprietário da Medley, Alexandre Negrão,  que retirava até 80 milhões de reais por ano para pagar todo tipo de despesa pes­soal.

A companhia patrocinava as equipes do empresário e de seu filho na Stock Car, principal categoria do automobilismo brasileiro. Negrão tinha um dos maiores jatos do país, um Global 5000, avaliado em 50 milhões de dólares, usado para passar fins de semana em suas residências na Europa — uma das mais luxuosas ficava na Sardenha, na Itália.

Os 20 funcionários de uma de suas casas de praia, em Paraty, no Rio de Janeiro, eram bancados pela Medley. Por anos, a empresa sobreviveu bem a esse tipo de gasto (e, como a empresa era 100% de Negrão, o que fazer com o caixa era mesmo assunto só dele). Mas a coisa ficou feia na crise de 2008, quando os bancos pararam de emprestar.

Quem tinha um caixa forrado sobreviveu à fase mais aguda da crise. Quem não tinha… Negrão acabou tendo de aceitar a oferta da Sanofi, 1 bilhão de reais menor do que a mesma empresa havia oferecido em 2007. Hoje, Negrão toca a Conforto, uma das maiores fazendas de confinamento de gado do país, em Goiás­, e uma fábrica de pás para energia eólica no Ceará. Ele não deu entrevista.

Uma empresa que compra outra numa situação dessas teria bons motivos para gastar um ou dois anos arrumando a casa. Mas a Sanofi não quis perder tempo. Os franceses colocaram em prática um plano de crescimento extremamente agressivo. A meta era dobrar de tamanho em três anos.

Já no primeiro ano, o número de diretores passou de quatro para 16. A equipe de vendas aumentou, para 700 pessoas. A agressividade comercial cresceu junto. Por lei, as farmacêuticas precisam vender os genéricos com desconto mínimo de 35% em relação aos medicamentos de marca. Mas a competição forçava cortes maiores.

Na Medley, até 2009, o desconto médio era de 62%. Sob gestão da Sanofi, os descontos subiram para até 90%. Além disso, foram elevadas as verbas promocionais às farmácias — que podem aumentar o desconto real em até mais 15 pontos percentuais. Segundo os cálculos de ex-executivos, cada ponto percentual de desconto resulta numa queda de 15 milhões de reais por ano na geração de caixa.

O objetivo da nova estratégia era claro — ganhar mercado, mesmo que fosse preciso perder dinheiro no curto prazo. Mas a Sanofi se embananou ao colocar em prática essa estratégia, embora tenha conseguido uma participação de mercado de 31%. As farmácias ficaram entupidas de genéricos da Medley que não foram vendidos e acabaram devolvidos.

É algo esperado, e as fabricantes volta e meia têm de receber um caminhão de remédios devolvidos. O problema, para a Sanofi, foi a magnitude das devoluções, que geraram um gigantesco rolo contábil. Embora as farmácias só paguem às fabricantes quando vendem os remédios, a Sanofi registrou o faturamento de cada item assim que foi transportado para o varejo.

Cada remédio devolvido tinha de ser estornado. Em agosto de 2013, o problema ficou insustentável, e a Sanofi teve de reconhecer perdas de cerca de 600 milhões de reais na Medley. O presidente mundial da companhia, o alemão Chris Viehbacher, afirmou que a Sanofi tinha de “limpar uma bagunça” no Brasil.

“Eles perderam o controle”, diz um ex-executivo da empresa. Em julho de 2013, os estoques de remédios da Medley com varejistas e distribuidores correspondiam a um ano de produção — a média do mercado é de cinco meses.

Estratégia revista

A limpeza anunciada por Viehbacher começou com a demissão de Heraldo Marchezini da vice-presidência da Sanofi para a América Latina e de Décio Decaro da presidência da Medley. Em seus lugares, entraram o francês Patricie Zagame, responsável pela América Latina, e Wilson Borges, atual presidente da Medley.

Segundo fontes próximas à empresa, foram demitidos também executivos das áreas comercial, financeira e de logística. A companhia reduziu os descontos para até 70%. Procurado, Marchezini não comentou o assunto. Decaro deu outra versão a amigos: diz que deixou a empresa por discordar de sua política comercial.

A Sanofi enviou uma nota afirmando que a Medley está focada em consolidar uma política comercial “competitiva e sustentável” e garantir níveis de estoque adequados à demanda. A nova estratégia custou a liderança do mercado de genéricos, hoje nas mãos da EMS.

Pressionada pela brutal competição no mercado de genéricos, a Medley está buscando outras fontes de crescimento. O investimento em medicamentos similares (uma espécie de genérico com marca) é sua maior aposta. Em 2014, serão 15 lançamentos.

Também para este ano está prevista a inauguração de uma nova fábrica, em Brasília, para a produção de hormônios e antibióticos. A empresa informa que as vendas de genéricos, após a queda no início de 2013, cresceram 23,6% no último trimestre do ano. Diante da quantidade de problemas que a Sanofi enfrentou na Medley em todos os trimestres anteriores, é, sem dúvida, algo a comemorar.

 

Fonte: Exame Abril 

fevereiro 21st, 2014

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Mão cibernética devolve sensibilidade a amputados

SENSIBILIDADE | “De repente, quando eu fazia os movimentos, pude sentir de verdade o que estava fazendo, ao invés de apenas olhar o que estava fazendo”

Pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausana (Suíça) e da Escola Superior Sant’Anna (Itália) desenvolveram o primeiro braço artificial que simula a sensação de toque com a ponta dos dedos. O invento representa um significativo avanço nas pesquisas para desenvolvimento de membros artificiais cada vez mais similares ao corpo humano.

O dispositivo, chamado LifeHand2, consiste em uma prótese similar ao antebraço que permite a pessoas amputadas captarem informações sensoriais tácteis em tempo real. Os estímulos são transmitidos para os nervos da parte superior do braço. A tecnologia que possibilita o invento foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Chicago, e se chama microestimulação intracortical. Até então, só havia sido testada em animais.

O primeiro homem a testar o braço biônico foi o dinamarquês Dennis Aabo Sørensen, de 36 anos, que teve o antebraço esquerdo amputado por conta de um acidente com fogos de artifício há nove anos. Ele foi vendado e teve de detectar, apenas com o tato, se ele estava segurando determinados objetos com muita força, bem como suas formas e consistências.

“Pude sentir coisas circulares, coisas duras e coisas macias — e o retorno foi algo totalmente novo para mim. De repente, quando eu fazia os movimentos, pude sentir de verdade o que estava fazendo, ao invés de apenas olhar o que estava fazendo”, conta Sørensen.

Por enquanto não há previsão de lançamento no mercado e produção em escala da LifeHand2 (ou de outros membros com essa tecnologia).

Funcionamento

O braço artificial conta com sensores que detectam informações sobre o toque medindo a tensão nos tendões artificiais que controlam os movimentos dos dedos. As medidas são transformadas em correntes elétricas. Confira o vídeo abaixo.

Entretanto, o sistema nervoso central é incapaz de compreender esses sinais. Para ‘traduzir’, os pesquisadores desenvolveram algoritmos capazes de converter os sinais elétricos em impulsos que os nervos podem interpretar corretamente. Esses impulsos são enviados para terminais nervosos da parte superior do braço, que, no caso de Sørensen, permaneceram intactos. Para a surpresa dos cientistas, os nervos não tiveram a sensibilidade reduzida por falta de uso.

Fonte: Administradores

fevereiro 19th, 2014

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CSN é condenada a pagar R$ 19,6 mi por violar patente

O engenheiro Fábio Jorge Botelho Baptista desenvolveu uma ferramenta utilizada por usinas do setor na produção do alto forno de ferro-gusa.

Alexandre Sant’Anna/Veja Rio

 Alto-Forno da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)

Alto-Forno da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN): do total do valor, R$ 17,85 milhões são referentes à indenização ao engenheiro

Rio – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi condenada na Justiça em um caso de violação de patente a indenizar em R$ 19,6 milhões o engenheiro mecânico Fábio Jorge Botelho Baptista por dano material. O engenheiro desenvolveu uma ferramenta utilizada por usinas do setor na produção do alto forno de ferro-gusa, metal obtido na transformação do minério de ferro em aço.

O perito nomeado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro estabeleceu em dezembro o valor da indenização, mas, o juiz ainda irá avaliar se a cifra definida no laudo precisa ser revista. Procurada, a CSN não quis comentar o caso.

No entanto, o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou que a companhia irá contestar o valor do laudo.

Do total, R$ 17,85 milhões são referentes à indenização ao engenheiro. São cobrados ainda R$ 1,78 milhão pelos honorários advocatícios, além de R$ 130 de custas judiciais.

Eduardo da Gama Camara Junior, advogado do escritório Dannemann Siemsen, responsável pelo processo, diz que as ferramentas foram utilizadas pela CSN sem autorização do engenheiro por quase 15 anos.

A ação foi protocolada na Justiça em 2003 e não cabe mais recurso sobre o mérito, informou o advogado. “Temos uma indenização relevante, como acontece em países como os Estados Unidos e os europeus. Isso mostra uma preocupação do judiciário de proteger aquele que criou uma tecnologia”, disse.

A CSN foi sua cliente por cerca de 20 anos, de acordo com o engenheiro, que se dedica ao desenvolvimento de equipamentos de siderurgia há 40 anos. Mas depois teria optado por comprar de outros fornecedores que não tinham autorização para usar a tecnologia.

“Quando desenvolvi a tecnologia, todas as usinas nacionais passaram a usá-la, inclusive a CSN. Como era de fácil fabricação, resolvi registrar a patente. A partir de 1999, a CSN passou a adquirir a ferramenta de empresas que não tinham a licença”, disse Baptista ao Broadcast.

“Não sabia se o Judiciário daria atenção ao meu caso. Foi uma surpresa, pelo interesse e conhecimento que mostraram. Espero que o meu caso sirva de exemplo para outros pequenos inventores”, disse o engenheiro.

 

Fonte: Exame Abril 

fevereiro 12th, 2014

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UE decide disputa entre Samsung e Motorola em abril

Comissão Europeia busca dar um fim das chamadas guerras de patentes entre fabricantes de smartphones

O Galaxy S4, da Samsung

Galaxy S4, da Samsung: Comssão tem investigado empresas por usarem ações agressivas para evitar que rivais vendam smartphones e tablets na Europa

Bruxelas – Reguladores da União Europeia vão decidir sobre casos antitruste contra Samsung e a Motorola Mobility em abril, informou a Comissão Europeia nesta segunda-feira enquanto busca dar um fim das chamadas guerras de patentes entre fabricantes de smartphones.

A Comissão –autoridade antitruste da UE– tem investigado essas e outras empresas por usarem ações agressivas para evitar que rivais vendam smartphones e tablets na Europa, por meio de reclamações de que copiaram seus designs.

As guerras de patentes entre empresas de tecnologia, também incluindo Apple, Microsoft, Nokia e rivais menores, chamam atenção para a feroz batalha por fatia de mercado na lucrativa indústria de celulares.

As principais fabricantes de smartphones, Samsung e Apple, estão processando uma à outra em mais de 10 países.

Fonte: Exame Abril 

fevereiro 3rd, 2014

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Twitter compra 900 patentes da IBM

(Foto: Reprodução)

O Twitter se acertou com a IBM para adquirir 900 de suas patentes e ainda assinou um acordo de licenciamento, o que deve pôr panos quentes em uma briga entre as duas. Os valores não foram divulgados.

Em novembro, pouco antes de a rede de microblogs dar início à sua oferta pública de ações, a IBM a acusou de violar três de suas patentes, abrindo o mal-estar entre as duas.

O alto número de patentes mandadas embora não deve chegar a fazer falta à IBM. Uma das maiores detentoras de propriedades intelectuais no mercado, a companhia tem 41 mil registros em seu poder.

Com Reuters

Fonte: Olhar Digital